19 dezembro 2006

Inpa concentra maior acervo de livros raros sobre a Amazônia

Por Luís Mansuêto (INPA)
em Jornal da Ciência
12 dezembro 2006

Ao longo dos anos, boa parte do conhecimento científico gerado sobre a Amazônia, principalmente Ciências Puras e Aplicadas com ênfase às Ciências Biológicas, foi sendo armazenado e catalogado em livros, mapas, teses etc, que se encontram na Biblioteca do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Existem aproximadamente 200 mil exemplares que têm um valor científico imensurável. Isso faz da biblioteca do Inpa a maior do país e do mundo sobre a temática: Amazônia. No local, também é possível encontrar a coleção de “Obras Raras e Especiais” formada por 3 mil títulos, aproximadamente.

Mas o que é uma obra rara? A responsável pela coleção, Angela Panzu, bibliotecária há 30 anos e há quatro funcionária do Instituto, responde. Segundo ela, não é tarefa fácil caracterizar um livro raro, pois não é considerado apenas a antigüidade, “o que não é suficiente”. Ela explica que existem outras características que devem ser consideradas, como, a consulta em fontes bibliográficas, ser único e incomum em relação aos exemplares do mundo, estar dentro de um limite histórico ou ainda apresentar aspectos bibliográficos distintos (papel, ilustração, encadernação, dedicatória etc).

Ou seja, é preciso verificar os detalhes técnicos tanto na forma quanto no conteúdo, bem como a dificuldade na obtenção dos exemplares e o seu valor histórico e monetário. Ela afirma que em alguns casos é quase impossível recolocar uma obra rara no acervo caso desapareça. “Além disso, a coleção necessita de cuidados especiais quanto a sua segurança conservação preventiva”, alerta.

“A coleção de obras raras e especiais destaca-se por sua importância científica e institucional. Nela é possível encontrar raridades dos séculos XVIII e XIX, como, Biologia Centrali-Americana em 64 volumes. Além de obras clássicas de Wallace, Bates, Darwin, Spruce, La Condamine, D'Orbigny, Coudreau, Spix e Martius, Agassiz, Goeldi e seus colaboradores, Holhne, Koch-Grümberg, Keller, Barbosa Rodrigues. Além do primeiro livro registrado na biblioteca em 1954: Iconografia de Orchidaceas no Brasil, de F.C. Hoehne (1949)”, afirma.

Entre as raridades também pode-se encontrar o livro: “El Maranon y Amazonas. História los descvbrimentos”. Ele é datado de 1684 e foi escrito pelo padre padre Manuel Rodrigues da Companhia de Jesu. Contudo, devido a ação do tempo, o livro já passou por um processo de restauração, tendo a capa alterada a qual recebeu uma nova encadernação. O que demandou tempo, profissional especializado e custo elevado, pois o livro possui 600 páginas e foi preciso remontá-lo página por página.

Panzu destaca que na coleção há livros que contam a história da população ribeirinha de Manaus e do Rio Branco, como o livro: “Valle do Rio Branco”, datado de 1906, de Alfredo Ernesto Jacques Ourique. Ele é todo ilustrado com fotos da região e de locais que hoje não existem mais, além do mapa da cidade. A obra foi idealizada pelo então governador do Amazonas da época, Antônio Constantino Nery. O objetivo era promover o povoamento do Alto Rio Branco. O livro foi entregue ao Excelentíssimo Senhor Barão de Ramiz Galvão pelo pesquisador Alfredo da Mata.

Também há na coleção obras do pesquisador Alfredo da Mata, como, o “Amazonas Médico”. O periódico tratava de assuntos referentes aos problemas que assolavam a cidade na época, principalmente, doenças de pele. “O material foi doado pela família do médico”, afirma Panzu acrescentando que há obras que pertenceram à biblioteca do Museu Botânico de Barbosa Rodrigues, como, a História Natural de Buffon, em 94 volumes, Linnaea, Journal für die Botanik, Paxton's magazine of Botany e livros que não são encontrados nem na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Ela destaca que tanto o acervo geral da biblioteca quanto a coleção de “Obras Raras e Especiais” são visitadas por estudantes do ensino fundamental, médio e superior, além de pesquisadores do Brasil e de fora do país. Segundo Panzu, deve-se ao valor informacional da coleção e ao número reduzido de bibliotecas na região.

“Nosso objetivo é democratizar a informação, permitindo que um público cada vez maior e diversificado tenha acesso à cultura científica brasileira. Mas, para isso, também é necessário dar um tratamento adequado à coleção, pois necessita de cuidados técnicos de higienização, de conservação, de restauração e de encadernação que permita retardar o processo de deterioração dos livros e prolongar a vida útil do acervo”, alerta.

Panzu ressalta que o papel pode durar séculos se conservado com os devidos cuidados.

“Existem exemplares dos primeiros 50 anos de impressão à época de Gutenberg até 1500, os quais são chamados incunábulos encontrados no acervo da Biblioteca Nacional (RJ), que ainda resistem a ação do tempo”, diz. Por isso, o manuseio e o acondicionamento devem ser adequados para garantir a preservação da obra. Uma alternativa que pode ser utilizada é a adoção da microfilmagem ou duplicação fac-similar para evitar a constante manipulação do original.

Mas os livros não sofrem apenas com a ação do tempo. O grande inimigo, hoje, das obras raras são os ladrões que têm roubado, com freqüência, livros de Museus e Bibliotecas Nacionais. No mês de setembro, a Secretaria de Cultura de São Paulo divulgou uma lista com as obras raras furtadas do acervo da biblioteca Mário de Andrade. Entre elas estavam gravuras do artista francês Jean Baptiste Debret e do alemão Johan Moritz Rugendas, além de um livro de 1501.

BIBLIOTECA INPA

Foi criada em 1954. O primeiro livro registrado na biblioteca foi o “Iconografia de Orchidaceas no Brasil”, escrito por F.C. Hoehne. A coleção da biblioteca subdivide-se em acervos bibliográficos, arquivísticos, sonoros e visuais distribuídos em livros, teses, periódicos, materiais especiais como mapas, fitas de vídeo, CD Rom, DVD, microfilmes, microfichas, entre outros.

O Instituto também possui sua própria produção bibliográfica, como, a coleção completa da Acta Amazônica, responsável pela divulgação dos trabalhos dos pesquisadores do Inpa e de outras instituições de ensino e pesquisa da região.

4 Comments:

At 24 dezembro, 2006 15:49, Anonymous Anônimo said...

Oi Jonathan!

Boas Festas e desejos de um Óptimo Ano 2007!

 
At 27 dezembro, 2006 06:34, Anonymous Anônimo said...

Happy holidays.
Thanks for linking my blog.
As a librarian who believes in knowledge sharing, I wish to share something with you.
My 2007 resolution is a friendly deal to get more comments at my blog and promptly reciprocate.
Best wishes for 2007.

 
At 02 janeiro, 2007 19:22, Blogger Cátia Mélo said...

Olá Jonathan,
Meu nome é Cátia Mélo, sou aluna de Biblioteconomia da UFC(Universidade Federal do Ceará), eu e minha equipe temos um blog para a disciplina de Tecnologias da Informação, e utilizamos seu blog como link em nosso trabalho. Convido você a visitá-lo. Tratamos de vários assuntos ligados ao nosso curso, também fazemos indicações bem legais de livros lidos e apreciados. Nosso blog é cafecomliteratura.blogspot.com.
A propósito, seu post está maravilhoso, já indicamos para os nossos colegas do curso.
Paz e Bem em 2007, e sempre!!!

 
At 12 setembro, 2009 15:45, Blogger Eliana said...

Oi Jonathan, vc ainda pesquiza sobre livros raros? Somos especialistas na 'area e temos 20 anos no mercado de livros. Gostaria de um contato com vc ta? meu email 'e elianalencar@hotmail.com

obrigada
Eliana

 

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